Rejeitada, abandonada… Será?

(Paulo Jacob)

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Olá, como estão?

Alguém se sentindo abandonado, rejeitado…?

Tenho certeza de que muitos “levantaram a mão” antes mesmo de acabar de ler a frase acima. E qual o motivo de estarem sentindo isso? Será que esse motivo é real, ou algo que você criou na sua mente, para conseguir algo em troca?

É… A necessidade de ser aceito pelo ser humano é constante. Ser valorizado, reconhecido é uma busca constante na vida de todos nós, em alguns de uma maneira, digamos assim, “normal” (se existe normalidade nisso), para outros a busca é quase que doentia. Entendam que ser aceito, reconhecido e valorizado por todos é impossível! Se Jesus Cristo, que foi uma das pessoas mais iluminadas desse planeta (entre outros seres), não agradou a todos, porque você quer que todos te aceitem ou bajulem constantemente? Eu sei que é gostoso ser reconhecido pela pessoa que você é, e pelos feitos que fez na sua vida, mas acreditem (caso não tenham se atentado para isso), cada um pensa de uma maneira! Não existe uma pessoa em todo esse planeta que pensa igual a você em tudo, então como é que você quer que todos te aplaudam o tempo inteiro pelo que você faz? Somente você se aplaude o tempo inteiro, narcísico como todos somos.

Vamos voltar ao parágrafo em que eu pergunto se o motivo que o faz se sentir rejeitado ou abandonado, e preste atenção na pergunta que vou fazer. Será que você realmente foi abandonado, rejeitado, ou a pessoa que te causou esse sentimento apenas não te deu aquilo que você idealizava? Então, se por acaso você esperava que esta pessoa te beijasse 10 vezes pelo menos por dia, e por exemplo ela “somente” te beijou 5 vezes, isso foi o motivo que fez você se sentir rejeitado? Ou então, se por exemplo você esperava que seu namorado te encontrasse todos os finais de semana, mas por um algum motivo ele não pode ter ver no último sábado (mas te viu no domingo), isso te fez você se sentir abandonada? Percebe as diferenças entre a realidade verdadeira (em psicanálise realidade-realidade), e a realidade que você criou na sua cabeça (realidade psíquica) que está fazendo você sofrer assim?

Em várias situações em consultório eu escuto situações como essa, e falo para a pessoa pensar usando a razão, ou seja, parando para pensar se realmente aconteceu aquilo que está sentindo, sem colocar emoção em seu processo de elaboração, de entendimento daquilo que está fazendo ela sofrer. Na grande maioria das vezes, percebo que após orientar para que a pessoa analise a situação de uma maneira mais “justa”, a reação dela é de perceber que ela estava digamos assim, distorcendo o contexto desse história toda, causando na maioria das vezes uma certa vergonha.

Ok, você pode me falar que mesmo após repensar as situações que te fizeram se sentir mal, que você ainda tem razão para de sentir assim. Lembre-se de que as pessoas estão ao seu lado porque querem estar, e que ninguém ter por obrigação fazer as coisas para você, elas fazem porque querem, seja por algum ganho que terão, ou porque te querem ver feliz. E às vezes acontece daquela pessoa que você espera demais dela (você criou uma expectativa gigante em relação à ela), de repente, por algum motivo deixa de atender uma das suas necessidades, e aí você tem dois caminhos para escolher: ou você compreende que nem sempre as pessoas vão fazer aquilo que você quer, porque todos somos livres para fazer o que bem entendermos como correto (pelos valores de cada um), ou então você fica sofrendo, se queixando da vida, e assim tentando conseguir alguma atenção de alguém, para ficar passando a mão na sua cabeça, porque você é um “coitadinho” ou uma “coitadinha”. Você acha isso algo digno de você fazer? Vitimização e auto-piedade só porque não atenderam as suas necessidades?

Existem os casos mais complexos, em que a pessoa passou por experiência de vida de real abandono e rejeição, e esses devem ser tratados em consultório.

Sejam maduros nos seus pensamentos, realistas. Se por acaso está insatisfeito com algo relacionado a alguém, converse com essa pessoa, e fale o que você espera dela, assim você poderá saber se ela está disposta ou não em atender o que você quer, e posteriormente você decidirá o que fazer sobre cada situação. E não ficar se queixando o tempo inteiro, que é um(a) coitado(a), abandonado(o)… Valorize-se!

Efeito Colateral

(R. C. Migliorini)

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Aos cinqüenta anos, sem qualquer renda e, apesar disso, voltando a morar sozinho, eu penso em como, há muito, eu já deveria ter resolvido meu sonho infantil de independência. Porém, preciso levar em conta que uma doença me acometeu um ano após eu haver me formado e provocou uma sequela em uma das áreas que mais afeta carreiras em dança. Entretanto, ela não foi grande, e não poderia explicar vinte anos de subvida.

Tampouco ilustraria o fato de eu ter que assistir os colegas da minha geração constituindo família, avançando na carreira e adquirindo mais responsabilidades em todas as esferas da vida, enquanto eu tinha que me contentar em cumprir uma longa sentença de prisão domiciliar em uma chácara afastada de tudo e de todos, e por um crime que eu nem sei qual foi.

Ah, também tive que tentar trabalhar com coisas que não me diziam muito e tentar esquecer ou, pelo menos, não valorizar tanto, os trinta anos de uma vida pregressa, com seus sonhos e investimentos (afetivos e financeiros).

O fato é que eu fiz tudo isso, se não alegremente, pelo menos conformado. Apesar disso, essa atitude não me rendeu nada além de um pré-estresse, um computador velho e quebrado, nenhuma renda, além de dias de ociosidade e a sensação de desperdício. A impossibilidade de constituir minha própria família, caso eu quisesse, anos de carência uma vez que um relacionamento afetivo e sexual ficou bastante comprometido, foram outros “lucros”. E, acima de tudo, críticas, como as de que eu não tive que me contentar com nada, pois tudo teria sido uma questão de escolhas pessoais e minha “dificuldade” pra viver já existia muito antes da cirurgia.

Talvez as críticas procedam, mesmo que eu tenha tentado vários tipos de trabalho em inúmeras cidades e que eu sempre tenha feito muita coisa sem que isso jamais tenha sido considerado trabalho. Mas, enfim, esse é o destino dos artistas, que por passarem a vida a cantar, podem morrer de fome e frio, como a Dona Baratinha, mesmo que a vida da formiga trabalhadora tenha ficado mais suportável exatamente por causa da cantoria da vizinha.

Eu tenho pra mim que a cirurgia apenas marcou o início de uma fase imensamente pior do que ela mesma; que se a culpa é das estrelas e se eu não tenho mesmo nenhum talento para as coisas práticas da vida, teria sido melhor que as estrelas tivessem me levado. Pelo menos, o sofrimento teria durado bem menos.

Onde está Deus na Depressão?

(Padre Jeferson)

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Texto bíblico: Livro de Jó

Todos nós sabemos que a depressão é um estado de sofrimento psíquico caracterizado fundamentalmente por rebaixamento do humor (isto é, do estado afetivo básico apresentado pela pessoa), acompanhado por diminuição significativa do interesse, prazer e energia. Normalmente, acrescem-se alterações do sono e apetite, retardo psicomotor, sensação de fadiga, falta de concentração, indecisão, diminuição da autoconfiança, pessimismo, ideias de culpa, desejo recorrente de morrer, entre outros sintomas. Depressão deve ser diferenciada de tristeza, que é uma experiência humana universal e esperada diante de experiências desfavoráveis, como o luto, por exemplo. O diagnóstico de depressão implica na correta avaliação das características e intensidade dos sintomas, bem como o tempo de evolução e suas repercussões.

Nessa situação de depressão nos perguntamos onde está Deus. Como exemplo bíblico, temos o Livro de Jó que relata uma depressão profunda que Jó vivencia em sua vida. Principalmente quando ele perdeu todos os seus bens – era um homem mais rico do oriente – e todos os seus filhos em um único dia (Jó 1.13-22). Perdeu sua saúde (Jó 2.1-10) e sua elevada posição social (Jó 19. 9; 30.9-11). Perdeu a solidariedade religiosa da esposa (Jó 2. 9-10) e sofreu críticas tremendamente injustas da partes dos amigos (Jó 4. 1-11). Tudo isso o levou a uma grande depressão cuja proporções ele mesmo descreve: “Não sou capaz de me ajudar a mim mesmo, e não há ninguém que me socorra” (6,13). “O meu coração está cheio de amargura” (7,11). “Detesto a vida; não quero mais viver (…) minha vida não vale mais a pena” (7. 16). “Agora já não tenho vontade de viver; o desespero tomou conta de mim” (30. 16). “O meu coração está agitado e não descansa (…) levo uma vida triste, como um dia sem sol” (30. 27-28).

Em meio a essa sentida depressão, Jó soube manter a fé e a esperança em Deus: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim se levantará sobre a terra” (19. 25). O que esperava aconteceu: “O Senhor abençoou a última parte da vida de Jó mais do que a primeira” (42. 12). O Deus dos Cristãos, o Deus da revelação, o Deus das Escrituras é uma pessoa que ama, que se apaixona, que enxerga e enxuga lágrimas, que ouve e responde à oração que se compadece da fraqueza humana e perdoa pecados, que compreende o ser humano e o trata com bondade e paciência, que gosta de ser chamado de Pai Nosso.

Ao contrário da visão pessimista de Epicuro, o Deus dos cristãos não é nem impotente nem mau. Ele quer e pode eliminar o mal do mundo – à sua maneira e a seu tempo. A culminação dessa obra aguarda a volta em poder e muita glória daquele que é chamado de Emanuel, que quer dizer “Deus conosco”. Sendo assim, para aprender a lidar com sabedoria e acerto com os incômodos da presente vida, não é preciso esperar o fim do mundo. Por ser uma realidade acima de qualquer outra realidade ou por ser uma ficção criada ou alimentada pela preocupação com a morte, “a ideia de Deus jamais morrerá, ou melhor, morrerá apenas com o último homem”.

 

FALANDO SOBRE ESQUIZOFRENIA

(Maria Helena Fantinati)

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Oi pessoal!

Hoje vamos falar sobre uma patologia cuja origem é múltipla e o tratamento é bastante complexo: a esquizofrenia.

Esta é uma doença mental grave que se carateriza classicamente por uma coleção de sintomas, entre os quais alterações do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e embotamento emocional com perda de contato com a realidade.

A sua prevalência atinge 1% da população mundial, manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 25 anos, nos homens e nas mulheres, podendo igualmente ocorrer na infância ou na meia-idade.

SINTOMAS:

A esquizofrenia é uma doença funcional do cérebro que se caracteriza essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Embora seja primariamente uma doença que afeta os processos cognitivos, os seus efeitos repercutem-se também no comportamento e nas emoções.

Os sintomas da esquizofrenia não são os mesmos de indivíduo para indivíduo, podendo aparecer de forma gradual ou, pelo contrário, manifestarem -se de forma explosiva e instantânea.

CAUSAS: são vários os fatores  que  estão na origem da esquizofrenia. Resumidamente podemos dizer que existe uma causa genética, neurobiológica e psicanalítica.

GENÉTICA:

A teoria genética admite que vários genes podem estar envolvidos, contribuindo juntamente com os fatores ambientais para o eclodir da doença. Sabe-se que a probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia aumenta se houver um caso desta doença na família.

No entanto, mesmo na ausência de história familiar, a doença pode ainda ocorrer. Segundo Gottesman, sabe-se ainda que cerca de 81% dos doentes com esquizofrenia não têm qualquer familiar em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não têm sequer um familiar afetado

NEURO BIOLÓGICA:

As teorias neurobiológicas defendem que a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, em especial uma disfunção na concentração de dopamina, um importante neurotransmissor, presente no cérebro, embora  existam também alterações nas concentrações de outros neurotransmissores envolvidos. A maioria dos antipsicóticos atua precisamente nos receptores da dopamina no cérebro, reduzindo a produção endógena deste neurotransmissor. Exatamente por isso, alguns sintomas característicos da esquizofrenia podem ser desencadeados por fármacos que aumentam a atividade da dopamina, por exemplo, as anfetaminas.  Esta teoria é parcialmente comprovada pelo fato de a maioria dos fármacos utilizados no tratamento da esquizofrenia atuarem através do bloqueio dos receptores (D2) da dopamina.

CAUSAS PSICANALÍTICAS  :

Resumidamente, o que acontece é que os impulsos primitivos, anteriormente  rejeitados e temidos pelo ego,   invadem o    campo consciente, obrigando o ego a uma última defesa: a perda de coerência do pensamento ou seja, a destruição do processo cognitivo, por não suportar lidar com determinados conflitos.

Impulsos primitivos, de forma geral, são tendências, desejos, sentimentos  que a pessoa teme, e não admite te-los.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da esquizofrenia, como sucede com a maior parte das doenças  psiquiátricas, não se pode efetuar através da análise de parâmetros fisiológicos ou bioquímicos, e resulta apenas da observação clínica  das manifestações da doença ao longo do tempo. Para o  diagnóstico, é importante que o médico exclua outras doenças ou condições que possam produzir sintomas psicóticos semelhantes, como o abuso de drogas, a epilepsia, tumor cerebral e alterações metabólicas. Portanto, o diagnóstico da esquizofrenia é por vezes difícil.

Em muitos casos, os indivíduos com esquizofrenia foram crianças tímidas, introvertidas, com dificuldades de relacionamento e com pouca interação emocional. Estas crianças podem apresentar  dificuldades  de atenção e de comportamento e na  adolescência, podem apresentar também isolamento e diminuição do rendimento escolar.  Estes comportamentos são comuns  na  adolescência e por isso, podem os ser facilmente confundidos com alguns  sintomas da esquizofrenia citados acima. Quando não há uma crise psicótica característica,  é difícil diagnosticar, com precisão, a esquizofrenia.

Uma crise psicótica, que é uma perda de realidade,  pode ser precipitada por vários fatores, como por exemplo, mudança de casa, perda de  um familiar, rompimento com um(a) namorado(a), entrada em uma nova escola ou universidade. Por vezes, o trauma é considerado um acontecimento insignificante pelas pessoas normais. Mas não para o indivíduo esquizofrênico, pois pelo  ao fato da sua  genética ser desfavorável, seus neurônios têm baixa  capacidade de tolerar frustrações, ou mudanças  e  qualquer acontecimento desagradável, pode  de desencadear a esquizofrenia.

Neste tipo de doença, é raro o indivíduo ter consciência de que está realmente doente, o que torna difícil a adesão ao tratamento.

Um dos maiores medos que a pessoa com esquizofrenia sente é o de ser estigmatizada por preconceitos sociais relativos a sua doença. Especialmente a idéia de que a pessoa  esquizofrênica é violenta, perigosa, é incorreta, pois estudos recentes mostram que isto não tem base científica.

É bastante útil que o doente tenha conhecimento sobre a doença e os seus sintomas e que tenha um papel ativo no tratamento e controle sobre a mesma. Sendo por isso vantajoso que estes sigam alguns cuidados:

  • Permanecer fiel ao seu tratamento; se achar que a medicação não está  ajudando ou sentir efeitos não desejáveis,  deve avisar o médico
  • Ter o cuidado de conservar um ritmo de sono e vigília correto, com as horas de sono necessárias
  • Evitar o stress
  • Deve manter rotinas normais, de higiene, alimentação, atividade em casa e no meio ambiente
  • Evitar as drogas
  • Procurar ter hora certa para dormir, comer, trabalhar
  • Fixar um programa de atividades para cada dia
  • Permanecer em contato com as outras pessoas
  • Manter o contato com o médico e profissionais de saúde mental (psicoterapia )
  • Praticar esporte pelo menos uma vez por semana.

O papel ativo da família é essencial para o tratamento. A reabilitação e reinserção social do  indivíduo  que sofre de esquizofrenia é muito importante.

Muitas famílias procuram o apoio  dos profissionais  de saúde, para  superarem  as dificuldades que encontram. No entanto, há aquelas que não o fazem, e assim correm o risco de se desestruturarem.

A família deve estar preparada para o fato do doente poder ter recaídas ao longo do tempo, o que pode conduzir a um possível internamento hospitalar, o que é relativamente comum.

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO.

Os medicamentos  são essenciais   para o tratamento  da esquizofrenia, assim como  a  psicoterapia que  complementa este tratamento.

Há  uma resistência natural, pelo doente,  ao uso destes medicamentos, chamados anti psicóticos,  porque freqüentemente causam muitos efeitos colaterais, sendo alguns deles   muito  graves.

As medicações, portanto, só fazem ajustar o que estava desajustado. Infelizmente no caso da esquizofrenia, não se conhece uma medicação  capaz de realizar  essa tarefa completamente, restabelecendo a normalidade do paciente.

Por enquanto, os medicamentos proporcionam uma ajuda parcial, porém indispensável para proporcionar ao doente uma vida próxima ao normal.

Juntamente com os medicamentos, a maternagem na terapia, o amor dos familiares, o trabalho voluntário quando possível, levam o paciente esquizofrênico a resgatar um pouco o prazer de viver e interagir com as pessoas!

Até a próxima!

Só sexo, ok?

(Paulo Jacob)

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Olá! Como vão?

Hoje vou abordar um assunto que conversei com uma paciente durante uma sessão de terapia.

Já fazia um tempo que ela não tinha relações sexuais, pois tinha se separado do marido há pouco tempo. Mas a vontade era grande de encontrar uma outra pessoa para transar, gerando até uma certa ansiedade nela.

Falei para ela ter paciência, pois ainda estava digerindo a separação, e que certamente ela iria encontrar alguém para matar aquela vontade, que sem dúvida um dia ela iria ter essa oportunidade.

Bom, o tempo passou e ela encontrou uma pessoa, na verdade ela foi pega de surpresa, pois já fazia um tempo que não via essa pessoa, pois eles já se conheciam, mas há algum tempo não se viam. Papo vai, papo vem, e eles acabaram saindo um dia, até que aconteceu aquilo que ela tanto queria.

Mesmo ela deixando claro para ele, que o interesse dela nisso tudo era apenas sexo, ele cobrou dela um algo a mais, ou seja, que durante aquela transa, ela agisse de uma maneira mais carinhosa, atendendo as necessidades dele tanto fisiológica (sexo), como psicológica (carência afetiva), o que fez com ela na mesma hora perdesse a vontade de continuar com ele.

Não vou aqui julgar se ela ou ele que estão certos, até porque esse pensamento de certo e errado é muito relativo, sempre depende do ponto de vista que observamos uma situação. Mas o que considero válido, é que tanto ela como ele estavam nessa relação apenas para saciar necessidades físicas e psicológicas (apenas dela falar que no caso dela era apenas sexo, e nada mais, ou seja, fisiológica). E também aqui quero deixar claro que não há nada de errado nisso, apenas acho que é bom senso que ambos deixem bem claro um para o outro, qual a real intenção de cada um nessa relação.

Alguns poderão pensar que ele por querer algo a mais, como por exemplo ouvir palavras amorosas, se sentir amado e querido por ela, que ele nesse cenário é uma pessoa melhor que ela, mais empática. Mas que tal pararmos para pensar, e diferenciar uma pessoa “sensível, carinhosa” por interesses egocêntricos, ou seja, visando apenas saciar suas necessidades próprias (carência afetiva), e de outro lado uma pessoa com as mesmas qualidades, mas que age assim porque gosta de ver o outro feliz, quando faz com que o outro se sinta amado, querido, e sem ter necessidade alguma de receber os mesmos elogios em troca? Percebem a diferença? O que eu gostaria que pensassem, é que tanto ela como ele estavam totalmente egocêntricos nesse caso, e que o fato dele agir de uma maneira mais carinhosa com ela, na verdade é porque ele queria ter o retorno disso, ou seja, fez para receber. Não tem nada de empático nisso.

E geralmente quando agimos egocentricamente, a probabilidade de nos frustrarmos é praticamente certa, o que foi que aconteceu com ele, pois criou uma expectativa que ela em momento algum alimentou.

E nesse caso eu me pergunto, até que ponto esse cara não estava mais precisando mesmo era de um colo de mãe, e não de uma mulher para transar? Mas aí já é um outro assunto…

Se a sua relação com outra pessoa é apenas por sexo, ou não, faça o que tiver que fazer porque quer, e não porque quer ter retorno, entende? Quer elogiar, abraçar, beijar, faça, mas não espere nade de volta, ninguém é obrigado a te fazer algo, cada um faz porque quer! E fazer por obrigação é fazer algo contra sua vontade, e isso reflete na sua relação, porque o inconsciente da outra percebe que aquilo não é autêntico, e sim falso.

Seja verdadeiro, e não falso!

Abraços e até a próxima!

Rezar sem neurose ( Inspirado nos Escritos do Frei Neylor Tonin)

(Padre Jeferson)

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Texto bíblico: Evangelho: Mt 6, 7-15

Quais as formas e os meios que rezamos? Como rezamos? O que rezamos? Não só rezar, mas, também e principalmente, ser religioso sem neuroses. É um desafio para todos nós. Acredito que tudo que façamos deva ter um pouco de neurose. Será? Na verdade, a oração é apenas uma manifestação de um jeito mais amplo de ser religioso, que pode ser feliz ou triste, alegre ou amargo, adorante ou farisaico, alimentador ou condenatório, livre ou neurótico. Este jeito pode, tristemente, caracterizar-se por expressões de modos e inseguranças, de preguiças enfastiadas ou de falsa compreensão relacional, de falta de aprumo espiritual ou de pessoas apresadas e insatisfeitas, de comandos intempestivos e desmandos intemperantes.

Rezar não é fácil. Na reza ou na oração deve ter um sentido para a vida, isto é, um sentido mais profundo para a vida. Rezar bem, com a alma e coração, com intensidade e pureza interiores, com despojamento e olho espiritual, não é coisa para marinheiros de primeira viajem ainda fascinados pelo turbulento revolver-se das aguas e enamorados por seu fascínio, mas desconhecedores de seus perigos. Rezar é bom e necessário, é até gostoso e inebriante, mas os grandes orantes sentiram na pele e ensinaram, em seus testemunhos e memórias, que não é fácil contemplar o invisível onde se esconde o rosto do Amado, de Deus.

Sendo assim, a alma que tanto deseja Deus, sofre imensamente pela insatisfação de ser tão pouco dele e de tão pouco poder amá-lo e sentir-se por Ele amado. Por que sentimos isso. Porque somos corpo, corpo pesado de concupiscentes sentidos físicos, quão difícil nos é mergulhar no invisível! Nesse meio ao colapso, não sabemos o que pedir ou a oração que fazer ou a graça que desejamos. Na verdade a grande graça a ser pedida, neste estágio do itinerário espiritual, será a da perseverança e a do não-desespero diante do aparente desaparecimento de Deus.

Há, na vida religiosa (de oração), um meio-termo que é insatisfatório e nele se revelam as neuroses de nossa relação com Deus. Este meio-termo se caracteriza por um desenfoque da verdadeira oração, no qual Deus é o centro e o que reza se põe de joelhos. Quando ocorre o contrário, isto é, quando é o orante o centro e Deus é apequenado, ficando a serviço das necessidades de quem reza, a oração ganha traços de neurose e perde a fecundidade da graça divina. O que consistem esses traços neuróticos? Consistem em adulterar a natureza das coisas e das pessoas, de Deus e do orante. Estabelece-se uma inversão de importância, ficando Deus como o criado-mudo da história e o orante como o protagonista do discurso e da ação.  O orante, sendo mendigo, comporta-se como patrão, e Deus, sendo Senhor, é tratado como empregado. A oração não passa, então, de um enlouquecido cozinhar das carências humanas e não se dirige a Deus Senhor e doador das graças. Estas são exigidas como expressão da pobreza humana, e não como escuta e deferimento da generosidade e bondade divinas.

As pessoas dizem que reza tanto e Deus não atende, ou ainda rezo muito e Deus me atende. Em ambas os casos, não há uma fé explicita em Deus, mas sim apenas estados emocionais prementes e assustador ou neuroses. Nestes casos, a oração não tem alma de adoração e de encantamento, mas se materializa como atropelo de um espirito que manda comanda, que exige e cobra os dividendos da fé. É preciso atentar para este tipo de apequenamento de Deus e para este comportamento espiritual, lembrando-se de que Deus nos atende porque é Deus e nos ama, e não porque acreditamos nele.

A verdadeira oração se fundamenta num pressuposto existencial: quem reza reconhece e exalta a grandeza de Deus, ao mesmo tempo em que aceita e confessa sua insignificância. Não-neurótica é a oração que tem como centro e endereço Deus.

 

 

 

Procurar entender-se

(Padre Jeferson)

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Texto bíblico: Evangelho: Mc 7, 14-23

“Conhece-te a ti mesmo”, famosa frase de um filosofo grego. Será que eu me conheço? Ora, somos mais que uma definição conceitual de possibilidades e ideias. Há aqueles que dizem que somos intelecto, psíquico e espiritual. Na verdade somos uma jardim, uma paisagem, muitas vezes desconhecida para nós mesmo. Temos tudo que uma paisagem possa ter. Porém, não percorremos e nem visitamos. Existe até esconderijos sombrios que todos e, até, nós mesmo, tudo fazemos para desconhecer, ocultar e esquecer.

Por isso, Jesus nos alerta dizendo que o que torna o homem impuro é o que sai do interior do seu coração. Ele elenca uma lista que nos torna impuros. Más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. O bem e o mal fazem parte da nossa paisagem. O bonito e o feio vivem de mãos dadas em nosso pequeno mundo. Somos ao mesmo tempo, um animal feroz e uma ovelhinha inofensiva; um urso esfaimado e a pombinha branca e inocente da paz. Se não reconhecermos isso em nós, pode transformar-se em graves frustrações e de desilusões, a longo prazo dolorosa.

 

Nenhum pecado nos afasta mais de Deus e dos irmãos do que a presunção de sermos justos. Paulo é incisivo: “Vocês que buscam a justiça na Lei se desligaram de Cristo e se separaram da Graça” (Gl 5,4). A auto justificação esvazia a justificação. Tira-nos a verdadeira consciência de nós mesmo como miséria e de Deus como misericórdia. Obriga-nos a fazer de tudo, até a amar, mas não aceita que sejamos amados gratuitamente. Desta maneira, o nosso coração continua duro, calcificado, morto, surdo e cego diante do amor e da vida que o amor suscita. Nossos olhos não veem, nossos ouvidos não ouvem (Mc 8,18).

É importante passear pela paisagem de nossa vida (interior) sem nos assustarmos demasiadamente com os minotauros que vivem em nossos labirintos e sem nos encantarmos infantilmente com os leões (vaidade, presunção e prepotências) que circundam nosso mundo mais ensolarado. Uns e outros somos nós. Este entendimento de nós mesmo deveria abrir-nos para uma certa condescendência, que não é aprovação de nossas covardias, mas aceitação de nossas pobrezas e apoio bem-humorado para uma autoestima saudável.

A resposta está em mim. É fato! Mas como encontra-la nessa paisagem que é o meu interior? No aceitar-se a si mesmo há uma capítulo que é, normalmente, muito difícil: o de perdoar-se. Perdoar os outros pode não ser tão difícil, porque nós fazemos, nestes casos, protagonistas da ação. Perdoar a si mesmo já não é tão fácil, porque a ação perde qualquer brilho de vaidade. É algo que se passa na austeridade de um deserto, que tem um único e silencioso espectador: Deus. Aceitar-se e perdoar-se! Não é preciso dizer que estes gestos são fonte de grande alegria.